Ensinamentos Postais
Se algum dia vierem fazer ERASMUS para Pisa não peçam aos papás que vos enviem uma encomenda, a menos que seja estritamente necessário. Senão vejamos: aquilo que parece à partida bastante simples afinal é bem mais complexo do que alguém possa pensar. E não, não estou a complicar.
Ora bem, a mamã vai aos correios de Portugal e tão fofinha manda umas prendinhas para a filhota, mais um cachecol do nosso Portugal para gritar o nosso nacionalismo exacerbado de quem está longe durante o mundial. Até aqui, tudo bem. Como a encomenda não cabe na caixa do correio do nr 178 do Corso Italia cá nos deixam um postalito para irmos buscar o ar que nos chega do nosso pais à beira-mar plantado. E pronto, como até vivemos a 10 passos dos correios da cidade, o postal é recebido com muita alegria e com um “vou já buscar a minha encomenda!”. Mas qual não é o espanto quando se vê nesse dito postal uma alusão a uma tal via emília perto do ospedaleto, via essa que nem nos mapas mais comuns aparece.
Mas ok, estamos em ERASMUS sempre à espera de ver coisas novas. Fala-se com alguém que já lá foi, fica-se a perceber mais ou menos onde é e numa manhã de sol agarra-se na bicicleta e ‘bora lá buscar a encomenda. Pois, lá se vai e de repente encontra-se uma poste italiane no início da via emília e ahahahah, encontrei! Entra-se, vai-se para a fila e ao ver que nada acontece pergunta-se se é mesmo ali que se levantam as encomendas. E não, pois claro que não é! O velhinho da terra lá explica como se vai, naquele italiano fechado que não se percebe mas que se finge perceber, “grazie mille e buona giornata”.
Depois segue-se caminho, dá-se com uma estrada sem saída, pergunta-se onde raio é o nr 370 da via emília e ah e tal entra-se numa via rápida com setas para a auto-estrada e espera-se que nos peçam o dinheiro da portagem. Tudo isto de bicicleta. Depois de sobreviver a camiões e carros em alta velocidade entra-se na calmaria do campo onde se vê uma casa de 100 em 100 metros e pensa-se “estou perdida, esta merda não pode ser para aqui!”. Mas, de repente, qualquer inspiração divina, ou então só teimosia, diz-nos para continuarmos em frente e wow, no meio do nada, existe um armazém cinzento e amarelo, reservatório de mercadorias e saudades de quem está longe. Somos recebidos por um Sr de barba que fala a gritar e que nos diz que “aquele sr la à frente chama-se “turbo” e que devemos ir ate lá e virar à sinistra” e que concorda connosco quando dizemos que é um absurdo termos que ir até ali buscar uma encomenda quando os correios centrais estão tão perto de nós. Este sr respondeu: “Eles não querem perceber”, e bateu com o punho fechado na cabeça em jeito de “cabeças duras” e eu senti-me em Portugal de repente. E pronto, lá aparece uma sra simpática que nos dá imediatamente a encomenda, que sorri quando dizemos “sim, é a letra da minha mãe” e que parece perceber o que isso pode significar para quem está longe. Depois de toda esta odisseia regressa-se a casa em 15 minutos, porque afinal aquilo nem é assim tão longe, é só complicado lá chegar para quem não conhece.
Depois disto nunca direi que os correios funcionam mal em Portugal. Um grande bem-haja para os nossos serviços!
Jo
Ora bem, a mamã vai aos correios de Portugal e tão fofinha manda umas prendinhas para a filhota, mais um cachecol do nosso Portugal para gritar o nosso nacionalismo exacerbado de quem está longe durante o mundial. Até aqui, tudo bem. Como a encomenda não cabe na caixa do correio do nr 178 do Corso Italia cá nos deixam um postalito para irmos buscar o ar que nos chega do nosso pais à beira-mar plantado. E pronto, como até vivemos a 10 passos dos correios da cidade, o postal é recebido com muita alegria e com um “vou já buscar a minha encomenda!”. Mas qual não é o espanto quando se vê nesse dito postal uma alusão a uma tal via emília perto do ospedaleto, via essa que nem nos mapas mais comuns aparece.
Mas ok, estamos em ERASMUS sempre à espera de ver coisas novas. Fala-se com alguém que já lá foi, fica-se a perceber mais ou menos onde é e numa manhã de sol agarra-se na bicicleta e ‘bora lá buscar a encomenda. Pois, lá se vai e de repente encontra-se uma poste italiane no início da via emília e ahahahah, encontrei! Entra-se, vai-se para a fila e ao ver que nada acontece pergunta-se se é mesmo ali que se levantam as encomendas. E não, pois claro que não é! O velhinho da terra lá explica como se vai, naquele italiano fechado que não se percebe mas que se finge perceber, “grazie mille e buona giornata”.
Depois segue-se caminho, dá-se com uma estrada sem saída, pergunta-se onde raio é o nr 370 da via emília e ah e tal entra-se numa via rápida com setas para a auto-estrada e espera-se que nos peçam o dinheiro da portagem. Tudo isto de bicicleta. Depois de sobreviver a camiões e carros em alta velocidade entra-se na calmaria do campo onde se vê uma casa de 100 em 100 metros e pensa-se “estou perdida, esta merda não pode ser para aqui!”. Mas, de repente, qualquer inspiração divina, ou então só teimosia, diz-nos para continuarmos em frente e wow, no meio do nada, existe um armazém cinzento e amarelo, reservatório de mercadorias e saudades de quem está longe. Somos recebidos por um Sr de barba que fala a gritar e que nos diz que “aquele sr la à frente chama-se “turbo” e que devemos ir ate lá e virar à sinistra” e que concorda connosco quando dizemos que é um absurdo termos que ir até ali buscar uma encomenda quando os correios centrais estão tão perto de nós. Este sr respondeu: “Eles não querem perceber”, e bateu com o punho fechado na cabeça em jeito de “cabeças duras” e eu senti-me em Portugal de repente. E pronto, lá aparece uma sra simpática que nos dá imediatamente a encomenda, que sorri quando dizemos “sim, é a letra da minha mãe” e que parece perceber o que isso pode significar para quem está longe. Depois de toda esta odisseia regressa-se a casa em 15 minutos, porque afinal aquilo nem é assim tão longe, é só complicado lá chegar para quem não conhece.
Depois disto nunca direi que os correios funcionam mal em Portugal. Um grande bem-haja para os nossos serviços!
Jo

1 Comments:
Espantoso!!! Merecia até ter sound track... aquela musica da encomenda do correio... ! E é por estas e por outras que sou aficionada dos DHL e afins... batem à Porta e esperam que se receba a encomenda!
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