...do terraço com vista sobre a cidade e do povo do telhado...
Lá do cimo do terraço onde passei os meus últimos dias de uma vida já exílio, avistava os telhados da cidade até onde os montes circundantes me permitiam, à frente dos meus olhos uma cúpula emergia da plenitude de uma praça como emergem da terra cogumelos, e a Mãe Natureza, criadora de todas as coisas vivas e não só, é diante disto tão ou mais poderosa que as mentes brilhantes que fizeram emergir aquela obra divina. Ao fundo avistava David o terceiro, a marcar de forma precisa o centro da Piazzale que adoptou o nome do seu criador, e por vezes via a minha sombra fugidia debruçada sobre as varandas do miradouro, imensamente perdida entre todas as outras sombras de nuvens e de noites. Quanto ao povo do telhado esse éramos nós, os aventureiros sem vertigens e sem medos vulgares, que haviam já conhecido uma felicidade tão grande e eterna que os permitia caminhar sobre telhas sem sequer as danificar, olhavam do alto da cidade as coisas complexas com desdém, abrindo excepções às obras divinas e dos seres imortais, porque há Deus e há Deuses e porque há Homens-Deuses e Deuses-Homens e Homens que apesar de o merecerem rejeitam o estatuto por serem simples homens e todos eles são imortais. Depois há homens vulgares, mas com estes não gosto de me demorar. O Povo do Telhado continua vivo mesmo quando não há telhados para percorrer, mesmo quando não há uma Florença para deambular, são as almas que perderam a razão de sonhar e procuram inspiração entre os sonhadores.
Há-de haver um dia em que eles vão descer e assentar as plantas dos pés no chão da cidade.
Até lá procurem nas suas sombras onde os encontrar.
alfacinha florentino
Há-de haver um dia em que eles vão descer e assentar as plantas dos pés no chão da cidade.
Até lá procurem nas suas sombras onde os encontrar.
alfacinha florentino

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