segunda-feira, outubro 30, 2006










Jonny

João Graça, amigo e companheiro di stanza... são muito poucas as lembranças da minha vida em Florença que não o incluem, não só por ter partilhado com ele o meu lar, não só pelo dia-a-dia de memórias. Via Maso Finiguerra, 11 c/o DeSimone 50100 Firenze ITALIA, foi durante seis meses a minha casa, chegámos numa madrugada a Florença cansados de uma viagem longa, de uma noite mal passada em Roma Termini, de despedidas que cansam, de lágrimas de pessoas demasiado importantes para serem enxugadas com coragem e orgulho, chegámos a Santa Maria Novella e olhámos o mapa da cidade, um olhar novo que se havia de repetir vezes sem conta, um mapa que a pouco e pouco se iria desenhar ao pormenor na nossa vida quotidiana, uma amizade que iria crescer e florir e existir sempre. Procurámos a nossa rua, era já ali. Carregava duas mochilas de campismo a rebentar as costuras, uma outra pequena e a minha guitarra que ainda não reavi. Ele trazia uma mochila de campismo e outra pequena, mais o seu violino. Avistei pela primeira vez aquela praça, a praça da estação, as pessoas a andar, a correr, de bicicleta. Virámos na primeira rua à direita, estava tudo em obras e assim se iria manter durante seis meses, mas não sabíamos. Depois foram os cheiros que apareceram, o aroma das pizzas, foccacias, lampredotto, Via Maso Finiguerra... 13... 11... chegámos. O André vinha connosco mas mais tarde escreverei sobre ele. O João tocou à campaínha, eu estava demasiado carregado para poder levantar os braços, carregado de roupa, livros, despedidas, lágrimas de avô e de irmã mais nova, já no quinto ano... binario de Roma Termini onde te disse até já que foste para Pisa. Elevador, foi tudo fácil até aqui. À porta estava o Cristian, apresentou-se a ele e ao Angelo... e ao nosso quarto, e à nossa vista da janela do nosso quarto, e à nossa cidade que estava dentro da nossa vista para lá da janela do nosso quarto. Olhei para o lado e deixei-me cair na cama mais próxima da janela, o João compreendeu-me pela primeira de muitas vezes, aquela ia ser a minha cama.
Depois vieram os dias e as noites, as semanas e os meses, veio a Porta Rossa, o Duomo, o David e o seu problema com o frio, veio a Mensa, veio o leitor de cd's na casa de banho, veio o Renato e com ele a minha bici, vieram pessoas e amigos, aventuras e desgraças, veio Pisa e fomos a Pisa, veio a bota e o Botta e mais tarde o Mezzabotta, veio o Arno que nunca parou de correr em direcção ao mar (passando por Pisa), trenitalia, esselunga, Massimo Rinaldo, Bruneleschi, Leonardo Da Vinci, De Gregori, Il Tempo Non Torna Piú, Bologna, Cinqueterre, Via Cavour e o seu terraço, il calcio, e tudo, e tutto, e tudo. De tudo o que para mim é Florença, este amigo é uma das partes que vale mais, e o nosso abraço irá sempre trazer-nos a nossa cidade de volta, exactamente como a deixámos.

Gui alfacinha florentino

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Que bonito Gui...Boa ideia para falar da minha coinquilina...beijinhos

Jo

12:46 a.m.  

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